SUPINO: DIFERENÇA ESTRUTURAL - PARTE 1

Mariane Malucelli   21/09/2018

A realidade da mecânica articular, mecânica muscular e mecânica da resistência deve estar constantemente fazendo parte de nossas decisões quando construímos um exercício para nosso cliente/paciente.

A ciência da "academia" deve ser evitada e os mitos eliminados para que possamos tomar melhores decisões. A própria interpretação da cinesiologia deve ser feita específica para cada indivíduo, pois cada um apresenta uma estrutura com algumas diferenças das imagens dos livros. É necessário que como profissionais possamos fazer as alterações necessárias baseadas na estrutura do próprio cliente/paciente.

Por exemplo: O objetivo contrátil de aplicarmos um exercício como o supino é influenciar a musculatura anterior do ombro, peitoral maior, em especial, e, como com todos os músculos, o ângulo da força do peitoral muda à medida que as articulações se movem através da amplitude disponível (lembre-se de que a amplitude articular do ombro não é determinada pelas relações do braço com o mundo, mas com a escápula). As relações entre ossos/articulação e a linha de ação do músculo a qualquer ponto, determina a aplicação de força ou a habilidade mecânica do músculo.

À medida que o ombro se move excentricamente para a adução horizontal, o ângulo da força do peitoral diminui. Isto cria forças translatórias maiores que forças rotatórias, que seriam estabilizadoras não fosse pelo fato de que o úmero está agora direcionado a um ângulo anterior à glenoide. Isto vai causar estresse na cápsula  articular anterior.

O peitoral é único no fato de que qualquer fator afeta o ângulo de força em qualquer uma das posições articulares. A distância anterior/posterior entre o esterno e a articulação do ombro afeta dramaticamente o ângulo da força. Esta distância A-P pode ser alterada por dois fatores: espessura da caixa torácica e posição escapular.

A espessura da caixa torácica é um traço congênito e não pode ser alterado através de exercício como proclamado por alguns. Dado uma pré-determinada caixa torácica, você só pode alterar sua mecânica e distância A-P pelo modo que respira durante o exercício. Se você expira fortemente durante a fase concêntrica de um exercício de peito, como tradicionalmente ensinado, a caixa torácica entra em colapso, diminuindo o ângulo da força (na essência, trazendo o esterno para mais perto da articulação do ombro). A respiração superficial vai manter uma base mais constante. Para se permitir o aumento da frequência respiratória necessária, aumente a frequência da respiração durante a série e não o volume.

A posição escapular afeta dramaticamente a habilidade mecânica do peitoral porque a protração basicamente traz a articulação do ombro para mais perto do esterno.  Mas tenha cuidado porque o objetivo e QUEM é o cliente/paciente é crítico na determinação do envolvimento escapular para o indivíduo. Um objetivo de função normal e força pode ser enfatizado diferentemente de um objetivo sintético como hipertrofia extrema. Deve ser notado que a posição escapular também influencia a posição do ombro relativa à amplitude, fazendo com que a posição do úmero no espaço seja muito enganadora para a avaliação da ADM. 

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Mariane Malucelli

Fisioterapeuta licenciada no Brasil e nos USA, especialista em Mecânica do Exercício, residente em traumato ortopedia na OrthoCarolina (USA). Palestrante da Cybex no Brasil entre 2003 e 2006. Diretora dos programas do RTS no Brasil desde 2003. Professora de Pós Graduação em Mecânica do Exercício, na PUC-PR e Universidade Positivo. E por último, porém o mais importante: mãe da Chloe e do Benjamin, esposa do Marcos e apaixonada pela vida!

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