FLEXÃO DO OMBRO COM EXTENSÃO DO COTOVELO NA FITA DE SUSPENSÃO

FLEXÃO DE BRAÇOS FECHADA

Mariane Malucelli   09/03/2018

O exercício é FLEXÃO DO OMBRO COM EXTENSÃO DOS COTOVELOS NA FITA DE SUSPENSÃO, conhecido também por FLEXÃO DE BRAÇOS FECHADA.

Vamos analisar a flexão de braços utilizando a fita de suspensão, mudando o plano do movimento. Analisamos a flexão dos braços no PLANO TRANSVERSO, agora será a vez da análise da flexão de braços no PLANO SAGITAL.

Apesar de ambos serem flexões de braço, a mudança do plano muda o cenário mecânico do exercício, mudando inclusive o plano no qual vamos determinar os braços do momento.

BRAÇO DO MOMENTO

  1. Braço do momento é a MENOR distância entre a linha da força e o eixo; atravessa o eixo e é perpendicular à linha da força.

  2. A análise estará será feita no plano SAGITAL, que é o plano no qual o movimento está sendo feito.

IMAGEM 1

Na POSIÇÃO INICIAL do exercício, a linha da força está atravessando tanto o ombro quanto o cotovelo. Assim, não temos braço do momento para tais articulações. Se não temos braço do momento, NÃO TEMOS RESISTÊNCIA para essas articulações e, portanto, NÃO TEMOS ESTÍMULO para essas articulações.

IMAGEM 2

Na POSIÇÃO FINAL do exercício, há um braço do momento para a extensão do OMBRO estimulando os flexores dessa articulação e um braço do momento flexor do COTOVELO estimulando os seus extensores. Aparentemente os braços do momento do ombro e do cotovelo são semelhantes no seu tamanho, o que indica que a resistência para ambas articulações é igual.

Em instrumentos que oferecem maiores graus de liberdade no exercício (como as fitas de suspensão e halteres), podemos manipular os braços do momento alterando a posição das articulações no espaço.

Nesse exercício, por exemplo, se na posição final (imagem 2), a mão do indivíduo estivesse mais abaixo do que nesta imagem e fosse mantida a posição do restante do corpo, o braço do momento para o ombro seria maior, diminuindo o recrutamento dos músculos do cotovelo. Se a mão estivesse mais acima do que nesta imagem (2), ainda mantendo a posição do resto do corpo, o braço do momento para o cotovelo seria maior, diminuindo o recrutamento dos músculos do ombro.

ATENÇÃO

Quando vamos analisar os braços do momento de um exercício, precisamos saber o que estamos procurando. Por isso, a determinação de qual articulação queremos analisar é tão importante. Depois, temos que determinar em qual plano vamos fazer a análise. A primeira opção é fazer a análise no plano do movimento. Entretanto, existem exercícios que geram resistência fora do plano do movimento - e é aí que a análise fica mais complexa.

Enxergar qual estímulo à resistência está criando na articulação do cliente/paciente é uma OBRIGAÇÃO do profissional do exercício.

Na parte superior (1) temos a visão de frente do exercícios e, na parte inferior (2), a visão lateral da execução. Apesar de ambos exercícios serem flexões do braço, a mudança na execução altera o recrutamento da musculatura envolvida e altera também a maneira com a qual vamos analisar o exercício.

Todo exercício tem um (ou vários) eixo(s) de rotação, que é formado na articulação. Esse eixo gera um plano de movimento que é PERPENDICULAR ao eixo.

Saber determinar o eixo e o plano do movimento é muito importante para a análise do exercício. Forças geradas fora do plano de movimento podem ser prejudiciais (dependendo do tipo de articulação).

Dessa forma, se vamos analisar, por exemplo, as forças para o COTOVELO, que é uma articulação com apenas um grau de movimento (flexão e extensão), precisamos localizar o seu eixo de rotação e o seu plano de movimento.

Na visão frontal do exercício (1), na execução com os braços aduzidos (1A), não conseguimos visualizar a influência da linha da força para a extensão e flexão do cotovelo, pois esse não é o plano do movimento. Na visão lateral (2A), essa perspectiva permite tal análise.

Quando o exercício é executado com a abdução dos ombros (2B), não conseguimos mais observar a influência da linha da força para flexão e extensão do cotovelo se olharmos para o exercício com a visão lateral (2). Para isso, precisamos ter a visão do plano do movimento, a qual se aproxima da visão frontal do exercício (1B).

Compreender o cenário mecânico do exercício é essencial para o profissional que o prescreve. Saiba manipular as variáveis do exercício.

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Mariane Malucelli

Fisioterapeuta licenciada no Brasil e nos USA, especialista em Mecânica do Exercício, residente em traumato ortopedia na OrthoCarolina (USA). Palestrante da Cybex no Brasil entre 2003 e 2006. Diretora dos programas do RTS no Brasil desde 2003. Professora de Pós Graduação em Mecânica do Exercício, na PUC-PR e Universidade Positivo. E por último, porém o mais importante: mãe da Chloe e do Benjamin, esposa do Marcos e apaixonada pela vida!

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