FLEXÃO DO JOELHO COM CABO

Mariane Malucelli   16/02/2018

Na posição inicial do exercício (1), existe um braço do momento considerável para o joelho (linha cinza). Na posição intermediária (2), o braço do momento aumenta em relação à posição anterior. Já na posição final do exercício (3), o braço do momento diminui tanto com relação à posição intermediária quanto com relação à posição inicial.

Dessa forma podemos dizer que o perfil da resistência nesse exercício é - + -.

DESAFIO EXTRA

O perfil da resistência nesse exercício está de acordo com o perfil da potência dos músculos flexores do joelho?

Em EXERCÍCIOS UNIARTICULARES, o PERFIL da POTÊNCIA dos músculos leva em consideração as relações da curva de comprimento-tensão e os braços do momento do músculo para a articulação durante a amplitude do movimento.

Como temos alguns MÚSCULOS BIARTICULARES que fazem a flexão do joelho, devemos levar em consideração a posição das duas articulações envolvidas para determinar o comprimento contrátil dos músculos.

Sendo assim, no comprimento contrátil mais longo dos flexores do joelho (flexão do quadril e extensão do joelho) e mais curto (extensão do quadril e flexão do joelho), a capacidade de gerar força pelo músculo fica diminuída, principalmente no comprimento contrátil mais curto, onde há a diminuição da tensão exercida pelos tecidos passivos.

MAIS EFICIENTE

Nesse exercício, na posição inicial, o indivíduo está próximo do comprimento contrátil mais longo e, na posição final, ele começa a se aproximar da posição contrátil curta (mas ainda não está na posição mais curta, o que não reduz tanto sua capacidade de gerar força).

Sendo assim, para termos um exercício mais eficiente, seria interessante que tivéssemos menos resistência na posição inicial, mais resistência na posição intermediária e menos resistência na posição final.

Comparando então o perfil da resistência com o perfil da potência dos músculos flexores do joelho na posição desse exercício, podemos dizer que o perfil da resistência ESTÁ ADEQUADO ao perfil da potência.

Tudo isso pode parecer um pouco confuso no início, mas a partir do momento em que você compreende a mecânica muscular, a mecânica da resistência e a mecânica articular (que compõem a mecânica do exercício), tudo fica bem mais simples!

SUPORTE

Você sabia que colocar um suporte sobre os joelhos altera (e muito) o cenário mecânico do exercício?

SUPORTE é uma das variáveis a serem manipuladas para a construção de um exercício.

A diferença entre as duas fotos parece sutil, mas você consegue ver que em uma existe um objeto sobre os joelhos do indivíduo e na outra não? Esse objeto SE OPONDO À RESISTÊNCIA em pelo menos um trecho do movimento é chamado de SUPORTE.

PARA QUE SERVE O SUPORTE?

O suporte é a superfície ou objeto no qual o indivíduo vai se "apoiar" para conseguir gerar a força orquestrada do exercício. Alguns pontos interessantes sobre o suporte.

  1. Quanto mais próximo ao eixo de movimento do exercício estiver o suporte, MAIOR a capacidade do indivíduo de orquestrar a geração de força e mais concentrado será o exercício. Fazer um desenvolvimento em pé, por exemplo, onde o suporte está no chão, faz com que o cliente/paciente consiga gerar menos força do que se fizer o mesmo exercício sentado em um banco, o que permite concentrar um pouco mais o exercício para a musculatura desejada.

  2. Quanto mais suporte for oferecido para o indivíduo no exercício, também MAIOR será sua capacidade de orquestrar a geração de força. Por exemplo: uma flexão dos cotovelos feita em pé, onde o suporte é o chão, diminui a capacidade de gerar força quando comparada a uma flexão dos cotovelos feita em uma máquina.

  3. Quanto mais "mole" for o suporte (uma bola, um bosu ou qualquer objeto instável), MENOR a capacidade de gerar força. Fazer um abdominal sobre a bola, por exemplo, faz com que eu consiga gerar menos força do que o mesmo exercício feito em uma superfície sólida.

  4. O suporte pode ser um ótimo aliado também quando inserimos a INTENÇÃO no cenário do exercício (outra variável da fórmula do exercício). Por exemplo, nesse exercício da imagem: podemos pedir para que o cliente/paciente "empurre" o suporte para cima enquanto executa o movimento. Isso, além de aumentar a intensidade do exercício, também auxilia o cliente/paciente a manter estático o que deve ficar estático (no caso, todo o corpo do joelho para cima). O suporte não vai se mover (não deve pelo menos), é apenas uma INTENÇÃO.

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Mariane Malucelli

Fisioterapeuta licenciada no Brasil e nos USA, especialista em Mecânica do Exercício, residente em traumato ortopedia na OrthoCarolina (USA). Palestrante da Cybex no Brasil entre 2003 e 2006. Diretora dos programas do RTS no Brasil desde 2003. Professora de Pós Graduação em Mecânica do Exercício, na PUC-PR e Universidade Positivo. E por último, porém o mais importante: mãe da Chloe e do Benjamin, esposa do Marcos e apaixonada pela vida!

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