BIOMECÂNICA DO EXERCÍCIO: INÉRCIA

Mariane Malucelli   05/09/2018

 

MECÂNICA DA RESISTÊNCIA

Massa

Muitos professores vão dizer que massa e peso são a mesma coisa porque neste planeta a gravidade é uma constante relativa. Porém, isso está incorreto. Um exemplo que comprova que massa e peso não são a mesma coisa é que no espaço temos massa, mas não temos peso. Esse entendimento equivocado é um erro monstruoso quando se trata de compreender as propriedades das ferramentas (equipamentos) do exercício de resistência porque a massa é o fator fundamental para a "resistência escondida".

Massa é a quantidade de matéria que compreende um objeto (relação de volume e densidade?). Em essência, massa representa as propriedades da inércia de um objeto. Mas, o que é inércia?

Inércia é a resistência à mudança.

Inércia é a tendência de um objeto de resistir a uma mudança em seu estado atual de movimento. Se não existe movimento ou movimento uniforme em linha reta, ele quer continuar fazendo o que um dos dois está fazendo atualmente.

Inércia

Primeira lei de Newton: "Um corpo vai permanecer em seu estado de repouso ou de movimento uniforme (linha reta, velocidade constante) a menos que seja obrigado a mudar aquele estado por forças aplicadas nela". Anteriormente denominado um estado de inércia por Galileu. Esta lei da inércia, basicamente, representa objetos em equilíbrio e seu "desejo" de permanecer inalterado.

Contemplação: a inércia não é uma força. Não é uma “coisa”. A inércia é uma propriedade da massa e está sempre presente em uma quantidade representativa do valor da massa em si. Não vem e vai, aumenta ou diminui a não ser com uma alteração da quantidade de massa em si. A sua expressão está diretamente relacionada com o grau de alteração/força aplicado sobre a massa. Quanto maior for a alteração aplicada, maior a expressão da inércia.

IMPLICAÇÕES DA INÉRCIA PARA O EXERCÍCIO

As implicações de massa e inércia são enormes no exercício. O peso de um objeto é medido em uma escala, estaticamente. Os efeitos da inércia são independentes dos efeitos da gravidade. Portanto, a magnitude da resistência é grandemente influenciada pela inércia, mas também, a direção da força da inércia pode não coincidir com a direção da gravidade puxando a mesma massa para baixo o que vai alterar completamente a mecânica da resistência a qual pode alterar a participação muscular sem que exista mudança no movimento (resultante). (Ver segunda lei de Newton)

Massa, inércia e aceleração podem:

1. adicionar à resistência! (A "Resistência Oculta")

a) No início de uma contração concêntrica, dependendo da aceleração.

b) No final da excêntrica, dependendo da desaceleração.

2. diminuir a resistência, ou seja, tornar-se assistência

Após a conclusão da concêntrica ou ao longo da maioria da amplitude. (Já viu um arremesso? 400 libras por um breve momento, não pesa nada!) 

3. proporcionar resistência em qualquer direção, incluindo horizontal, dependendo da direção da aceleração.

a) O que proporciona a resistência de uma medicine ball movida horizontalmente? Peso ou massa?

b) A direção da resistência devido à inércia vai combinar com a direção da gravidade para criar uma resultante, que será a direção momentânea da resistência.

DISCUSSÃO

1. Potencialmente o que quer que inicie o movimento do peso obtém a maior parte da resistência da inércia, então o controle sobre a sequência dos movimentos articulares torna-se crítica.

Se você está fazendo uma rosca bíceps com 100 kg e todas as articulações estão em movimento, a quantidade de resistência pode não estar desafiando os flexores do cotovelo.

2. Não subestime o papel que a inércia desempenha na resistência. É dramático!

Devido à forma como a maioria das pessoas desloca o peso, a resistência adicionada pela inércia e a assistência da inércia são as principais influências na realização dos exercícios.

3. Estática x dinâmica: braço do momento + peso x braço do momento + peso + inércia.

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Mariane Malucelli

Fisioterapeuta licenciada no Brasil e nos USA, especialista em Mecânica do Exercício, residente em traumato ortopedia na OrthoCarolina (USA). Palestrante da Cybex no Brasil entre 2003 e 2006. Diretora dos programas do RTS no Brasil desde 2003. Professora de Pós Graduação em Mecânica do Exercício, na PUC-PR e Universidade Positivo. E por último, porém o mais importante: mãe da Chloe e do Benjamin, esposa do Marcos e apaixonada pela vida!

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