ADUÇÃO HORIZONTAL DO OMBRO COM EXTENSÃO DO COTOVELO NA FITA DE SUSPENSÃO

FLEXÃO DE BRAÇOS

Mariane Malucelli   02/03/2018

O exercício de ADUÇÃO HORIZONTAL DOS OMBROS COM EXTENSÃO DO COTOVELO, mais conhecido como FLEXÃO DE BRAÇOS, feito na FITA DE SUSPENSÃO ou FITA DE TREINAMENTO SUSPENSO, é muito usado por profissionais de educação física e fisioterapeutas.

Apesar de versátil, a fita de suspensão tem algumas características que devem ser levadas em consideração na prescrição do exercício.

BRAÇO DO MOMENTO

  1. Braço do momento é a MENOR distância entre a linha da força e o eixo; atravessa o eixo e é perpendicular à linha da força.

  2. Por enquanto, vamos restringir a análise ao plano transverso, que é o plano no qual o movimento está sendo feito.

IMAGEM 1

Na POSIÇÃO INICIAL, a linha da força está passando sobre o eixo, que nesse caso é a ARTICULAÇÃO DO OMBRO.

Dessa forma, como não há distância entre a linha da força e o eixo, não há braço do momento. Se o BRAÇO DO MOMENTO É ZERO para o ombro, A RESISTÊNCIA também É ZERO, pois a resistência é resultado da multiplicação do BRAÇO DO MOMENTO x FORÇA (magnitude) e. qualquer número multiplicado por zero, o resultado é sempre ZERO.

Se temos ZERO de resistência e temos ZERO de estímulo, não estamos gerando resposta muscular nessa POSIÇÃO ARTICULAR, nessa ARTICULAÇÃO ESPECÍFICA e nesse PLANO**.

IMAGEM 2

Na POSIÇÃO FINAL, temos um braço do momento bem significativo para o ombro, o que está gerando estímulo para os adutores horizontais dessa articulação.

ATENÇÃO

** É importante deixar claro que a análise do braço do momento nesse contexto foi feita no PLANO DO MOVIMENTO que, no caso, foi o plano transverso. Se quiséssemos observar os braços do momento para outras articulações no exercício, deveríamos mudar o plano de análise de acordo com o que estamos procurando. 

Por exemplo: se quiséssemos determinar os braços do momento para a coluna, poderíamos olhar o exercício a partir do plano sagital e, nesse mesmo plano, poderíamos também observar se a fita está gerando um torque para os extensores do ombro.

Saber analisar o cenário mecânico do exercício faz com que o profissional saiba realmente que tipo de estímulo está gerando em seus clientes/pacientes. Isso se torna necessário, principalmente, quando está trabalhando com clientes/pacientes que não toleram certas forças articulares.

As imagens anteriores mostram que a análise dos braços do momento da flexão de braços na fita de suspensão foi feita levando em consideração que as duas partes da fita tinham um ÚNICO PONTO DE ANCORAGEM/FIXAÇÃO, pois geralmente é assim que as encontramos para venda.

Existem algumas fitas que permitem a separação dos seus pontos de ancoragem, como nas imagens abaixo (fitas dom DOIS PONTOS DE ANCORAGEM/FIXAÇÃO). Esse tipo de variação é superinteressante porque podemos manipular os braços do momento no exercício. 

IMAGEM 1

Na POSIÇÃO INICIAL do exercício, quando o ponto de ancoragem é um único ponto (foto A), o braço do momento para o ombro no plano transverso é ZERO, não havendo resistência para os adutores do ombro. Mas, se afastarmos as fixações das fitas (foto B) aí teremos um braço do momento para o ombro já na posição inicial do exercício (mesmo se aduzirmos um pouco mais os braços do indivíduo da imagem). Dessa forma se temos braço do momento, temos resistência e temos ESTÍMULO.

IMAGEM 2

Na POSIÇÃO FINAL do exercício, o braço do momento para o ombro no plano transverso é um pouco maior quando os pontos de ancoragem estão separados (foto B). Isso significa que teremos mais resistência para os adutores do ombro nessa posição articular.

Na representação, não conseguiríamos afastar mais as ancoragens das fitas devido ao tamanho do espaldar, mas, se você tem como fazer isso aí no seu espaço (ancorar em um crossover ou em dois espaldares), experimente e tente fazer a análise dos braços do momento. A experiência do exercício fica muito diferente em cada um desses cenários mecânicos.

Junte-se à rede mundial RTS
Cadastre-se e recebe conteúdos como este com prioridade


Mariane Malucelli

Fisioterapeuta licenciada no Brasil e nos USA, especialista em Mecânica do Exercício, residente em traumato ortopedia na OrthoCarolina (USA). Palestrante da Cybex no Brasil entre 2003 e 2006. Diretora dos programas do RTS no Brasil desde 2003. Professora de Pós Graduação em Mecânica do Exercício, na PUC-PR e Universidade Positivo. E por último, porém o mais importante: mãe da Chloe e do Benjamin, esposa do Marcos e apaixonada pela vida!

QUEREMOS SABER O QUE VOCÊ PENSA

O que você achou deste conteúdo? Conte-nos nos comentários abaixo.

Junte-se à rede mundial RTS


Cadastre-se e receba conteúdos como este com prioridade

SOBRE
VEM COM A GENTE
ÚLTIMAS POSTAGENS